Sobre nós

EcoAldeia, um espaço onde vamos comprometer-nos com um planeta perpétuo e um estilo de vida mais saudável. Vamos criar um local de boas práticas que possa ser replicável e acessível a todos.

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EcoAldeia, neste incrível espaço vão ser aplicadas todas as regras de boas práticas agrícolas com o objetivo de criar um ecossistema cada vez melhor e estável. Vão ser aproveitados todos os possíveis recursos naturais com o objetivo de reduzir o consumo dos produtos externos até ao mínimo possível. Vamos dotar particulares e entidades das capacidades necessárias para replicar este modelo noutras realidades e locais. Faça parte deste projeto e comprometa-se com um planeta perpétuo!

A nossa História, o nosso espaço...

Este incrível espaço tem imensas particularidades com um curioso enquadramento no Arouca Geopark. Desde logo a passagem da Grande Rota, a GR28 que daqui segue em direção a Meitriz já aqui bem perto e cuja praia fluvial do lugar D´Além do Barco possibilita a um belo enquadramento em montanha para além das águas quentes do Rio Paiva aquecidas pela geotermia dos xistos escuros que acompanham todo o caminho desde esta EcoAldeia e que absorvem a energia proveniente do solo.

Logo à chegada, a partir do corte de Vilar de Servos, somos presenteados com magníficos blocos de quartzo já bastante alterados (fotos 1 a 4), efetivamente sinal da presença de fluidos provavelmente na envolvente das grandes câmaras magmáticas geradoras do já particular granito de Alvarenga.

Há que relembrar que aqui não muito longe podemos encontrar os icnofósseis de cabanas longas e até os do Pereiro já junto a Meitriz, potenciando assim uma manifesta panóplia de observações turístico científicas.

O perfil visível do solo, à medida que calcorreamos a GR28 em direção à EcoAldeia, é muito interessante e revelador de grandes forças e movimentos de placas, gerando fraturas e falhas por parente intrusão. Apesar da meteorização avançada do xisto, decorrente da meteorização, quer de origem química através da água/oxidação ou física potenciada pelas inúmeras raízes de árvores e arbustos (fotos 5 a 8). Pode ainda encontrar-se um espelho de falha aparentemente decorrente de uma falha em que um dos blocos está em rotação.

Embora cada vez menos frequentes à medida que avançamos, os veios de quartzo continuam a surgir ainda que meteorizados como é o caso da foto 9.

Há que referir que estamos a poucos quilómetros das maiores trilobites do mundo no Centro de Interpretação Geológica de Canelas, este incrível espaço faz parte deste legado que outrora, há mais de 600 milhões de anos, esteva posicionado num local próximo do polo sul. De um fundo do mar pouco profundo, até cerca de 150m, podemos observar nas fotos 10,11 e 12. As diferentes texturas mudam consoante a sedimentação, cinzas vulcânicas ou areias, zonas mais escuras revelando zonas pouco oxigenadas ou mesmo de água parada originando xistos escuros ou quase lousas.

À medida que avançamos os blocos de xisto tornam-se maiores, mais compactos, ainda que algo oxidados, habitat ideal para algumas espécies autóctones da região como a uva de gato ou as nossas há conhecidas carquejas, urzes, giestas e fetos (fotos 13 a 16).

Nestes blocos maiores há que dar nota de alguma verticalização e sobretudo de alguns belos exemplares de fraturas transversais e longitudinais simultaneamente (fotos 18, 19 e 20) revelante um formação do relevo do território que possa ter passado por movimentos violentos tão característicos da orogenia varisca onde está também inserida o nosso espaço. Reforçando este conceito de fenómenos geológicos intensos são ainda visíveis localmente pequenas fraturas com dobras localizadas como é o caso da figura 17.

Eis-nos que após este fantástico enquadramento que a GR28 encontramos uma enorme falha que gerou uma espécie de vale fértil produzindo terra fértil ao longo de mais de 600 milhões de anos, chegamos a este maravilhoso espaço.

Ao nosso lado esquerdo podemos observar o que designei por cantinho da biodiversidade onde todo o ecossistema funciona na perfeição, aproveitando cada recurso existente, este é um local onde é possível encontrar grande variedade de fetos, desde o majestoso feto real (foto 33), ao feto macho, ao feto pente e ao pequeno avencão (Fotos 22 a 25). O polipódio exemplar da ancestralidade dos fetos sendo o mais antigo com mais de 300 milhões de anos (foto 23). A qualidade do ar é algo de bem presente através dos bioindicadores, indicado uma excelente qualidade do ar, mais presente sob a forma de líquenes como é o caso da acarospora hilaris (foto 21), entre outros, como barbas de velho ou a Parmelia verde (foto 27 e 38) dando um ar natural aos troncos das árvores, ou mesmo a cor caiada a xistos negros da Ochrolexia como é o caso da foto 30. No verão o leque de bio indicadores é fechado pela agradável presença junto às charcas de libélulas e libelinhas como o gaiteiro azul, a libélula escarlate ou a esmeralda verde.

Nos muros a forte presença de algumas suculentas como o caso da uva de gato (foto 23) ou o arroz dos telhados mais uma enorme variedade de musgos possibilita a retenção das águas e a alimentação hídrica dos ecossistemas nos períodos mais quentes de verão.

Esta cantinho da biodiversidade apresenta já a geração seguinte de pequenos carvalhos (foto 29) e de lódãos bastardos (foto 26).

Os muros construídos pelo Avô do Ricardo são também o habitat de imensos umbigos de vénus (foto 28) que num ambiente tão puro quanto este me atreveria a comer numa bela salada.

À medida que avançamos na propriedade de ficamos com a ideia de estarmos numa local único em que a natureza se moldou na perfeição às condições climatéricas, ao relevo e ao tipo de solos, o aparecimento de escorrências pelo meio dos xistos favorece e muito os habitats de anfíbios (fotos 31 e 32).

A presença de espécies autóctones variadas é muito interessante para um lugar só, medronheiros, pilriteiros (foto 34), loureiros, alfazema, gilbardeiras (foto 50), adernos, azevinhos em plena convivência e enquadramento com a fantástica produção agrícola do vale fértil através dos pomares de maça e citrinos de múltiplas variedades (fotos 35 e 35). Este são mais um ele de ligação ao Arouca Geopark através do Arouca Agrícola, projeto ligado ao slow food estando esta propriedade integrada na rede de caminhadas interpretadas GEOFOOD.

Continuamos na propriedade até encontrar uma lage de xisto de muito grande dimensão, dado que o xisto é muito quebradiço, algo que é até raro revelante uma formação do território algo heterogéneo mas que mais uma vez potencia a permanência de anfíbio e neste caso até pequenos répteis.

Os muros em xisto tradicionais com o propósito de suporte e aproveitamento do cultivo da terra criados pelo Avô do Ricardo revelam arte e engenho, mantendo-se em alguns casos o original assentamento que termina com um corta vento na parte superior (foto 37).

Logo ali ao lado permanecem inalteradas as paredes em xisto de casas de elevado potencial que outrora serviram de cortes para caprinos e uma junta de bois de raça Arouquesa utilizada certamente no transporte mas sobretudo no trabalho agrícola, aliás são ainda visíveis os sulcos na rocha das rodas do carro.

O enquadramento desta grande lage é perfeito no ecossistema, medronheiros (foto 41), imensa variedade de musgos (foto 42), funcionando como esponjas, estando a sua continuidade por demais evidente nas haste reprodutivas visíveis (foto 43), e o sempre constante e integrado pomar de produção natural integrada (foto 44).

A presença antiga de vinha é revelada pelos peculiares e pouco habituais esteios de xisto (fotos 45 e 46), material quebradiço e difícil de os gerar, ainda assim o engenho possibilita a utilização dos materiais que estão á mão.
Outra surpresa agradável é a rede hídrica interna que a propriedade possui através das suas 3 nascentes que convergem para uma pequena ribeira ladeada pelos belos e antigos muros de xisto habitats de mais uma imensa panóplia de biodiversidade.

Mas antes de surgir a ribeira temos as fantásticas charcas numa espécies de represas naturais (fotos 47 e 48), habitat de anfíbios como a rã verde, a rã ibérica, a salamandra de pintas amarelas, tritões quer de ventre laranja quer marmoreados e sobretudo a Salamandra lusitânica, espécie endémica portuguesa e a única salamandra no mundo que apenas respira pela pele tendo uns pulmões residuais.

O património cultural continua presente num convívio pleno com a natureza onde nada se perde como é o caso das cortiça extraída dos magníficos sobreiros da propriedade (foto 51).

Uma procura rápida pelas redondezas desta vez não foi reveladora, caprichos da natureza, ainda assim habitats perfeitos da Vaca Loura infelizmente em perigo de extinção, sendo o maior escaravelho da europa, das pútegas com as suas magnificas flores (fotos 49 e 52).

Os sons de enquadramento são interessante com o assobio ténue da água mas sobretudo pela curiosidade dos gaios, considerados os semeadores da floresta, que nos vão acompanhando ao gripo de alerta dos melros pretos, com estorninhos, carriças, piscos de peito ruivo e chapins a marcar a sua presença mais distante e prudente como é já habitual.

A ribeira leva-nos rapidamente a uma oferta da natureza, agriões selvagens (fotos 55 e 56), entrelaçados por vezes com os ouriços de outono que vão caindo num cenário idílico.

Um super alimento espalhado pelo chão, bolotas (foto 53), potenciando a possibilidade de fazer pão de farinha de bolota tão apreciado nos dias de hoje.

Na linha de água e aproveitando tudo o que a natureza dá um moinho de água em xisto e com telhado de lousa (foto 54), ladeado de pequenas charcas.

A vinha de que temos vindo a falar, revelada pelos curiosos esteios de xisto, que até estes têm interessantes líquenes (foto 57 e 61) conforma-se pela presença junto à ribeira de uma estrutura em xisto com um magnifico lagar no mesmo material, cobertura de xisto (foto 62) com elevado potencial de recuperação de forma a permitir momentos únicos de experimentação agrícola com visitantes, ladeada por uma escadaria em xisto e uma figueira de odor agradável e doce bastante intenso.

Junto à ribeira, funcionando quase como um lameiro, a espécies certo, castanheiros (foto 60), mini souto magnifico convidando a uma tarde de leitura com o murmúrio das águas em pano de fundo. Mas as surpresas nunca param, basta rodar a cabeça e eis que para um olhar atento já temos novo motivo de interesse, no muro junto à horta uma magnifica dobra vincada perpetuando a evolução do território (fotos 58 e 59).

Do património cultural deste magnífico lugar muito há a dizer, lendas e histórias, muitas destas contadas na primeira pessoa quer nas recordações de infância, das explorações com os amigos das aldeias vizinhas mas sobretudo das memórias vivas do Avô criador desta propriedade que viu um refúgio neste lugar e que lhe despertou a emotividade de pertença ainda evidente na Família até aos dias de hoje.

Deixei-me levar sem  um rumo certo e fui subindo a encosta da propriedade (foto 63), parei para ver a paisagem, o Paiva serpenteava nos seus meandros junto a Meitriz, o São Mácário ao fundo estando nós sempre encaixados nesta magnifica montanha, caminhos antigos e tradicionais que muitas histórias contam, há uma possibilidade de percorrer um Eco trilho, uma manhã ou uma tarde que pode ser um dia para os mais observadores de descobertas e interesses combinando na  definição perfeita de Geodiversidade, Biodiversidade e Património cultural, enquadramento perfeito para disfrutar de um belo tempo bem passado.

Ficou com vontade de nos conhecer melhor? Marque já a sua visita!